
A Nigéria enfrenta uma crise política crescente após o Presidente Bola Tinubu ter declarado estado de emergência em Rivers, rico em petróleo, e ter suspendido o governador, o vice-presidente e todos os legisladores no parlamento estadual durante seis meses.
Numa transmissão em rede nacional, Tinubu disse ter recebido “relatórios de segurança perturbadores que detalham incidentes de vandalismo de oleodutos por parte de alguns militantes, sem que o governador tenha tomado qualquer medida para os travar”. Acrescentou que não podia permitir que a “grave situação” continuasse.
Os advogados e políticos da oposição questionam a legalidade da decisão do presidente.
Tinubu fez o anúncio depois de um dos oleodutos de crude de maior produção do país, “Trans-Níger”, ter sofrido danos significativos devido a uma explosão.
No passado, os ataques a oleodutos foram levados a cabo por grupos criminosos ou rebeldes, interrompendo a produção e as exportações.
Aos preços actuais, o petróleo que flui através do oleoduto afectado rende cerca de 14 milhões de dólares por dia, de acordo com a publicação, online, da Africa Report.
Mas tendo como pano de fundo a explosão, houve uma divisão política no estado de Rivers, que atingiu o ponto de ebulição.
O governador Siminalayi Fubara é membro do Partido Democrático do Povo (PDP), que tem sido assolado por relatos de conflitos internos. A nível nacional, o PDP é o principal partido de oposição ao Congresso de Todos os Progressistas do Presidente.
Tinubu disse que os políticos não têm conseguido trabalhar juntos de forma eficaz por causa da turbulência em curso. Alegou que os aliados de Fubara ameaçaram com “fogo e enxofre” os inimigos do governador e que estes não “repudiaram” estes comentários.
Os legisladores do estado de Rivers ameaçaram destituir o governador e o seu vice, de acordo com a agência de notícias Reuters. Tinubu disse que esta crise política deixou o estado de Rivers “paralisado”, acrescentando que esta última medida se baseia na necessidade de restaurar a paz e a ordem no estado.
Fubara deu uma resposta comedida ao estado de emergência. Disse que houve “desentendimentos políticos, mas a boa governação continuou”.
“O estado de Rivers é seguro, protegido e pacífico sob a nossa supervisão”, disse. O estado de emergência permitirá ao governo gerir o estado e enviar forças de segurança, se necessário.